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Aula 04

Equações separáveis, solução geral e intervalo de existência

Os doze problemas de §1.4 — cinco de solução geral e sete de valor inicial, estes últimos pedindo também o intervalo em que a solução encontrada de fato existe.

Exercícios
12
Enunciados
Braun §1.4, p. 24-25 (PDF: p. 40–41)

A primeira metade pede a solução geral; a segunda pede a solução de um problema de valor inicial e o intervalo de existência, que é a parte que costuma ser esquecida.

A convenção usada aqui. Como nas listas lineares, integra-se entre o ponto inicial e o ponto corrente — e numa separável isso vale para os dois lados, cada um com os seus próprios limites. Escrita a equação como g(y)dydt=f(t)g(y)\,\frac{dy}{dt} = f(t) e integrando de t0t_0 a tt,

t0tg(y(s))y(s)ds=t0tf(s)ds,\int_{t_0}^{t} g\bigl(y(s)\bigr)\,y'(s)\,ds = \int_{t_0}^{t} f(s)\,ds,

e a substituição η=y(s)\eta = y(s), com dη=y(s)dsd\eta = y'(s)\,ds, transforma o lado esquerdo numa integral em η\eta cujos limites são os valores de yy:

  y0y(t)g(η)dη=t0tf(s)ds  \boxed{\;\int_{y_0}^{y(t)} g(\eta)\,d\eta = \int_{t_0}^{t} f(s)\,ds\;}

Isto é o que “separar as variáveis” significa de verdade — é uma mudança de variável, não uma manipulação de símbolos dydy e dtdt soltos. Nos problemas de valor inicial, t0t_0 e y0y_0 são dados, e a resposta sai sem nenhuma constante para determinar depois. Nos de solução geral, (t0,y0)(t_0, y_0) é um ponto qualquer por onde a solução passa, e é ele que faz o papel da constante arbitrária.

O critério do intervalo. Achada a solução, o intervalo de existência é o maior intervalo aberto que contém t0t_0 e no qual a solução está definida, é derivável e satisfaz a equação. Três coisas podem interrompê-lo: um radicando que zera, uma divisão por zero na própria equação, e uma solução que escapa para o infinito em tempo finito. Nenhuma delas aparece na equação original de forma óbvia — só a resposta revela.

Duas armadilhas reaparecem aqui, e nos dois casos por causa da divisão que a separação exige: soluções perdidas (exercícios 2, 5 e 12) e escolha de ramo da raiz ou do arco (exercícios 6 a 10).

O enunciado é do livro; a resolução é nossa. Tente antes de abrir — e confira as respostas na p. 557 do Braun.

  1. intermediárioseparação com arco-tangenteBraun §1.4, nº 1

    Encontre a solução geral de

    (1+t2)dydt=1+y2.(1+t^2)\frac{dy}{dt} = 1 + y^2.

    Sugestão do livro: tan(x+y)=tanx+tany1tanxtany\tan(x+y) = \dfrac{\tan x + \tan y}{1 - \tan x \tan y}.

    Dica

    Separe e integre entre (t0,y0)(t_0, y_0) e (t,y)(t, y): os dois lados dão arco-tangente. A sugestão serve para tirar o yy de dentro do tan\tan no fim.

    Resolução

    Separação e integração. Nenhum dos fatores se anula (1+y211+y^2 \geq 1), então dá para dividir sem perder solução. Integrando entre um ponto (t0,y0)(t_0, y_0) da solução e o ponto corrente:

    y0ydη1+η2=t0tds1+s2arctanyarctany0=arctantarctant0.\int_{y_0}^{y}\frac{d\eta}{1+\eta^2} = \int_{t_0}^{t}\frac{ds}{1+s^2} \quad\Longrightarrow\quad \arctan y - \arctan y_0 = \arctan t - \arctan t_0.

    Passando para o mesmo lado o que depende do ponto base,

    arctanyarctant=arctany0arctant0=:c,\arctan y - \arctan t = \underbrace{\arctan y_0 - \arctan t_0}_{=:\,c},

    com cc constante — é a forma implícita da solução geral.

    Forma explícita. Tomando a tangente dos dois lados e usando a fórmula da sugestão, na versão para a diferença,

    tan(arctanyarctant)=yt1+ty=tanc=:k,\tan(\arctan y - \arctan t) = \frac{y - t}{1 + ty} = \tan c =: k,

    de onde yt=k(1+ty)y - t = k(1 + ty) e, isolando yy,

    y(t)=t+k1kt.y(t) = \frac{t + k}{1 - kt}.

    Verificação. Derivando pela regra do quociente,

    y=(1kt)+k(t+k)(1kt)2=1+k2(1kt)2,y' = \frac{(1-kt) + k(t+k)}{(1-kt)^2} = \frac{1 + k^2}{(1-kt)^2},

    enquanto

    1+y2=(1kt)2+(t+k)2(1kt)2=(1+k2)(1+t2)(1kt)2,1 + y^2 = \frac{(1-kt)^2 + (t+k)^2}{(1-kt)^2} = \frac{(1+k^2)(1+t^2)}{(1-kt)^2},

    usando (1kt)2+(t+k)2=1+k2t2+t2+k2=(1+k2)(1+t2)(1-kt)^2 + (t+k)^2 = 1 + k^2t^2 + t^2 + k^2 = (1+k^2)(1+t^2). Logo (1+t2)y=1+y2(1+t^2)y' = 1+y^2. ✓

    Uma solução fora da família. A função y=1/ty = -1/t também resolve a equação — confira: (1+t2)1t2=1+1t2(1+t^2)\cdot\frac{1}{t^2} = 1 + \frac{1}{t^2} — e não se obtém de nenhum kk finito. Ela é o caso limite kk \to \infty, que corresponde a c=π/2c = \pi/2: um valor legítimo da constante cuja tangente não existe. A forma implícita arctanyarctant=c\arctan y - \arctan t = c não tem esse defeito; ele foi introduzido pelo passo algébrico que deixou tudo explícito.

    Solução geral. Na forma implícita, que é a completa,

    arctanyarctant=c,cR;\arctan y - \arctan t = c, \qquad c \in \mathbb{R};

    explicitamente, com k=tanck = \tan c,

    y(t)=t+k1kt,kR,mais o caso c=π2:  y(t)=1t.y(t) = \frac{t + k}{1 - kt}, \qquad k \in \mathbb{R}, \qquad\text{mais o caso } c = \tfrac{\pi}{2}:\; y(t) = -\frac{1}{t}.
  2. básicosolução perdida na divisãoBraun §1.4, nº 2

    Encontre a solução geral de

    dydt=(1+t)(1+y).\frac{dy}{dt} = (1+t)(1+y).
    Dica

    Já vem separada. Ao dividir por 1+y1+y, anote o que você está supondo — e volte para conferir no fim.

    Resolução

    Separação e integração. Supondo y1y \neq -1 e integrando entre (t0,y0)(t_0, y_0) e (t,y)(t, y):

    y0ydη1+η=t0t(1+s)dsln1+yln1+y0=(t+t22)(t0+t022).\int_{y_0}^{y}\frac{d\eta}{1+\eta} = \int_{t_0}^{t}(1+s)\,ds \quad\Longrightarrow\quad \ln|1+y| - \ln|1+y_0| = \left(t + \frac{t^2}{2}\right) - \left(t_0 + \frac{t_0^2}{2}\right).

    Exponenciando e juntando num único fator tudo o que depende do ponto base,

    1+y=(1+y0)exp ⁣[(t0+t022)]=:Cexp ⁣(t+t22),1 + y = \underbrace{(1+y_0)\exp\!\left[-\left(t_0 + \frac{t_0^2}{2}\right)\right]}_{=:\,C} \exp\!\left(t + \frac{t^2}{2}\right),

    isto é,

    y(t)=1+Cexp ⁣(t+t22),C0.y(t) = -1 + C\exp\!\left(t + \frac{t^2}{2}\right), \qquad C \neq 0.

    A solução perdida. A divisão excluiu y1y \equiv -1, que é solução: o lado esquerdo dá 00 e o direito, (1+t)0=0(1+t)\cdot 0 = 0. Ela é recuperada admitindo C=0C = 0 na fórmula acima — o que permite escrever, sem ressalva,

    y(t)=1+Cexp ⁣(t+t22),CR.y(t) = -1 + C\exp\!\left(t + \frac{t^2}{2}\right), \qquad C \in \mathbb{R}.

    Que a solução perdida caiba de volta na família é sorte comum, não regra: veja o exercício 12 desta mesma lista, onde ela é a única resposta e nenhum valor da constante a produz.

    Solução geral.

    y(t)=1+Cexp ⁣(t+t22),CR,tR,y(t) = -1 + C\exp\!\left(t + \frac{t^2}{2}\right), \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t \in \mathbb{R},

    com C=0C = 0 correspondendo à solução constante y1y \equiv -1.

  3. básicofatoração antes da separaçãoBraun §1.4, nº 3

    Encontre a solução geral de

    dydt=1t+y2ty2.\frac{dy}{dt} = 1 - t + y^2 - ty^2.
    Dica

    O lado direito não parece separável — até você agrupar os termos dois a dois e fatorar.

    Resolução

    Fatoração. Agrupando,

    1t+y2ty2=(1t)+y2(1t)=(1t)(1+y2).1 - t + y^2 - ty^2 = (1-t) + y^2(1-t) = (1-t)(1+y^2).

    É a mesma estrutura do exercício 1, com (1t)(1-t) no lugar de 11+t2\frac{1}{1+t^2}.

    Separação e integração.

    y0ydη1+η2=t0t(1s)dsarctanyarctany0=(tt22)(t0t022),\int_{y_0}^{y}\frac{d\eta}{1+\eta^2} = \int_{t_0}^{t}(1-s)\,ds \quad\Longrightarrow\quad \arctan y - \arctan y_0 = \left(t - \frac{t^2}{2}\right) - \left(t_0 - \frac{t_0^2}{2}\right),

    e reunindo as constantes do ponto base em cc,

    arctany=tt22+cy(t)=tan ⁣(tt22+c).\arctan y = t - \frac{t^2}{2} + c \quad\Longrightarrow\quad y(t) = \tan\!\left(t - \frac{t^2}{2} + c\right).

    A solução vale enquanto o argumento da tangente permanecer entre dois múltiplos ímpares consecutivos de π/2\pi/2. Como tt22t - \frac{t^2}{2} tem máximo 12\frac12 em t=1t = 1 e decresce sem limite para os dois lados, toda solução acaba encontrando uma assíntota vertical — mas o enunciado pede só a forma geral.

    Solução geral.

    y(t)=tan ⁣(tt22+c),cR,y(t) = \tan\!\left(t - \frac{t^2}{2} + c\right), \qquad c \in \mathbb{R},

    em cada intervalo maximal onde o argumento fica entre dois múltiplos ímpares consecutivos de π/2\pi/2.

  4. básicoexponencial de uma somaBraun §1.4, nº 4

    Encontre a solução geral de

    dydt=exp(t+y+3).\frac{dy}{dt} = \exp(t + y + 3).
    Dica

    Exponencial de soma é produto de exponenciais — é isso que separa a equação.

    Resolução

    Separação e integração. Como exp(t+y+3)=exp(3)exp(t)exp(y)\exp(t+y+3) = \exp(3)\exp(t)\exp(y):

    y0yexp(η)dη=exp(3)t0texp(s)ds,\int_{y_0}^{y}\exp(-\eta)\,d\eta = \exp(3)\int_{t_0}^{t}\exp(s)\,ds,

    isto é,

    exp(y0)exp(y)=exp(t+3)exp(t0+3).\exp(-y_0) - \exp(-y) = \exp(t+3) - \exp(t_0+3).

    Isolando,

    exp(y)=exp(y0)+exp(t0+3)=:Kexp(t+3)y(t)=ln(Kexp(t+3)).\exp(-y) = \underbrace{\exp(-y_0) + \exp(t_0+3)}_{=:\,K} - \exp(t+3) \quad\Longrightarrow\quad y(t) = -\ln\bigl(K - \exp(t+3)\bigr).

    Onde vale. É preciso Kexp(t+3)>0K - \exp(t+3) > 0, ou seja, t<lnK3t < \ln K - 3. Note que K>0K > 0 sai de graça: é soma de duas exponenciais. Com a primitiva indefinida essa positividade teria de ser imposta à mão, como condição sobre a constante; com os limites explícitos, ela é consequência.

    Toda solução, portanto, existe apenas à esquerda de uma barreira, e y+y \to +\infty quando tt se aproxima dela — o que era de esperar: com y=exp(y)(positivo)y' = \exp(y)\cdot(\text{positivo}), quanto maior yy, mais depressa ele cresce. Nenhuma solução perdida aqui, pois exp(y)\exp(y) nunca se anula.

    Solução geral.

    y(t)=ln(Kexp(t+3)),K>0,t<lnK3.y(t) = -\ln\bigl(K - \exp(t+3)\bigr), \qquad K > 0, \quad t < \ln K - 3.
  5. intermediáriosolução implícita e soluções constantesBraun §1.4, nº 5

    Encontre a solução geral de

    cosysintdydt=sinycost.\cos y \,\sin t\, \frac{dy}{dt} = \sin y \,\cos t.
    Dica

    Junte o que é de yy de um lado e o que é de tt do outro. Os dois lados viram derivadas logarítmicas — e a divisão por siny\sin y merece nota.

    Resolução

    Separação e integração. Supondo siny0\sin y \neq 0 e sint0\sin t \neq 0:

    y0ycosηsinηdη=t0tcosssinsdslnsinylnsiny0=lnsintlnsint0.\int_{y_0}^{y}\frac{\cos\eta}{\sin\eta}\,d\eta = \int_{t_0}^{t}\frac{\cos s}{\sin s}\,ds \quad\Longrightarrow\quad \ln|\sin y| - \ln|\sin y_0| = \ln|\sin t| - \ln|\sin t_0|.

    Exponenciando e absorvendo o sinal na constante:

    siny=Csint,C=siny0sint0.\sin y = C \sin t, \qquad C = \frac{\sin y_0}{\sin t_0}.

    Esta é a solução geral em forma implícita, e é assim que se deixa: isolar y=arcsin(Csint)y = \arcsin(C\sin t) obrigaria a escolher um ramo do arco-seno e restringiria a resposta sem necessidade.

    As soluções perdidas. A divisão excluiu siny=0\sin y = 0, isto é, as constantes ynπy \equiv n\pi com nn inteiro. Todas são soluções — os dois lados da equação zeram —, e todas voltam à família fazendo C=0C = 0.

    Solução geral, em forma implícita:

    siny=Csint,CR,\sin y = C \sin t, \qquad C \in \mathbb{R},

    nos intervalos onde sint0\sin t \neq 0. O valor C=0C = 0 cobre as soluções constantes ynπy \equiv n\pi.

  6. intermediárioPVI com escolha de ramoBraun §1.4, nº 6

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    t2(1+y2)+2ydydt=0,y(0)=1.t^2(1+y^2) + 2y\,\frac{dy}{dt} = 0, \qquad y(0) = 1.
    Dica

    Separe e integre de y=1y=1 a yy à esquerda, de t=0t=0 a tt à direita — a condição inicial já entra aí. No fim, escolha o sinal da raiz olhando para y(0)y(0).

    Resolução

    Separação e integração, já com os dados iniciais nos limites.

    1y2η1+η2dη=0ts2dsln(1+y2)ln2=t33.\int_{1}^{y}\frac{2\eta}{1+\eta^2}\,d\eta = -\int_{0}^{t}s^2\,ds \quad\Longrightarrow\quad \ln(1+y^2) - \ln 2 = -\frac{t^3}{3}.

    Não precisa de módulo: 1+η2>01+\eta^2 > 0. Exponenciando,

    1+y2=2exp ⁣(t33).1 + y^2 = 2\exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right).

    Nenhuma constante ficou para determinar — a condição inicial foi usada no momento em que se escreveram os limites.

    Escolha do ramo. Como y(0)=1>0y(0) = 1 > 0 e a solução é contínua, ela permanece positiva enquanto existir — para trocar de sinal teria de passar por y=0y = 0, onde a equação, na forma y=t2(1+y2)2yy' = -\frac{t^2(1+y^2)}{2y}, nem está definida. Portanto

    y(t)=2exp ⁣(t33)1.y(t) = \sqrt{2\exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right) - 1}.

    Intervalo de existência. É preciso que o radicando seja positivo:

    2exp ⁣(t33)>1    t33>ln2    t3<3ln2    t<(3ln2)1/3.2\exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right) > 1 \;\Longleftrightarrow\; -\frac{t^3}{3} > -\ln 2 \;\Longleftrightarrow\; t^3 < 3\ln 2 \;\Longleftrightarrow\; t < (3\ln 2)^{1/3}.

    Para tt negativo não há obstáculo algum: exp(t3/3)\exp(-t^3/3) cresce. Logo o intervalo é

    (,  (3ln2)1/3),(3ln2)1/31,276.\left(-\infty,\;(3\ln 2)^{1/3}\right), \qquad (3\ln 2)^{1/3} \approx 1{,}276.

    À medida que tt sobe até esse valor, y0+y \to 0^+ e a derivada explode: a curva chega ao eixo com tangente vertical, e ali a equação deixa de fazer sentido.

    Solução geral da equação, em forma implícita:

    1+y2=Cexp ⁣(t33),C>0,1 + y^2 = C\exp\!\left(-\frac{t^3}{3}\right), \qquad C > 0,

    isto é, y=±Cexp(t3/3)1y = \pm\sqrt{C\exp(-t^3/3) - 1}, com o sinal fixado pelo ponto inicial e tt restrito a t<(3lnC)1/3t < (3\ln C)^{1/3}.

    Solução do PVI: C=2C = 2 e ramo positivo, no intervalo (,(3ln2)1/3)\left(-\infty,\,(3\ln 2)^{1/3}\right).

  7. intermediáriointervalo que é a reta inteiraBraun §1.4, nº 7

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    dydt=2ty+yt2,y(2)=3.\frac{dy}{dt} = \frac{2t}{y + yt^2}, \qquad y(2) = 3.
    Dica

    Fatore o denominador: y+yt2=y(1+t2)y + yt^2 = y(1+t^2). Os limites de integração são yy de 33 a yy e tt de 22 a tt. Depois verifique se o radicando chega mesmo a zerar — desta vez ele não zera.

    Resolução

    Separação e integração. Como y+yt2=y(1+t2)y + yt^2 = y(1+t^2), a equação separa em ydy=2t1+t2dty\,dy = \frac{2t}{1+t^2}\,dt, e integrando com os dados iniciais nos limites:

    3yηdη=2t2s1+s2dsy292=ln(1+t2)ln5.\int_{3}^{y}\eta\,d\eta = \int_{2}^{t}\frac{2s}{1+s^2}\,ds \quad\Longrightarrow\quad \frac{y^2 - 9}{2} = \ln(1+t^2) - \ln 5.

    Logo

    y2=9+2ln ⁣(1+t25),y^2 = 9 + 2\ln\!\left(\frac{1+t^2}{5}\right),

    e, como y(2)=3>0y(2) = 3 > 0, fica-se com o ramo positivo:

    y(t)=2ln ⁣(1+t25)+9.y(t) = \sqrt{2\ln\!\left(\frac{1+t^2}{5}\right) + 9}.

    Verificação em t=2t = 2. O logaritmo se anula e sobra 9=3\sqrt{9} = 3. ✓

    Intervalo de existência. O radicando é mínimo onde 1+t21+t^2 é mínimo, isto é, em t=0t = 0, onde vale

    2ln ⁣(15)+9=92ln55,78>0.2\ln\!\left(\frac{1}{5}\right) + 9 = 9 - 2\ln 5 \approx 5{,}78 > 0.

    Como ele nunca chega a zero — e portanto yy nunca se aproxima de 00, o único ponto onde a equação seria singular —, a solução existe para todo tt:

    (,  +).(-\infty,\;+\infty).

    Vale contrastar com o exercício anterior, de aparência parecida: lá o radicando alcançava zero em tempo finito e cortava o intervalo; aqui ele tem um piso positivo. Só a conta distingue os dois casos.

    Solução geral da equação, em forma implícita:

    y2=2ln(1+t2)+C,CR,y^2 = 2\ln(1+t^2) + C, \qquad C \in \mathbb{R},

    ou seja y=±2ln(1+t2)+Cy = \pm\sqrt{2\ln(1+t^2) + C}, com o sinal fixado pelo ponto inicial.

    Solução do PVI: C=92ln5C = 9 - 2\ln 5 e ramo positivo, em (,+)(-\infty, +\infty).

  8. intermediáriointervalo simétrico e limitadoBraun §1.4, nº 8

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    (1+t2)1/2dydt=ty3(1+t2)1/2,y(0)=1.(1+t^2)^{1/2}\frac{dy}{dt} = t y^3 (1+t^2)^{-1/2}, \qquad y(0) = 1.
    Dica

    Junte as duas potências de (1+t2)(1+t^2) antes de qualquer coisa: a equação é bem mais simples do que parece.

    Resolução

    Simplificação. Dividindo tudo por (1+t2)1/2(1+t^2)^{1/2}:

    dydt=ty31+t2.\frac{dy}{dt} = \frac{t\,y^3}{1+t^2}.

    Separação e integração. Supondo y0y \neq 0 e usando os dados iniciais como limites:

    1yη3dη=0ts1+s2ds[12η2]1y=12ln(1+t2),\int_{1}^{y}\eta^{-3}\,d\eta = \int_{0}^{t}\frac{s}{1+s^2}\,ds \quad\Longrightarrow\quad \left[-\frac{1}{2\eta^2}\right]_{1}^{y} = \frac{1}{2}\ln(1+t^2),

    isto é,

    1212y2=12ln(1+t2).\frac{1}{2} - \frac{1}{2y^2} = \frac{1}{2}\ln(1+t^2).

    Multiplicando por 22 e isolando,

    1y2=1ln(1+t2)y(t)=11ln(1+t2),\frac{1}{y^2} = 1 - \ln(1+t^2) \quad\Longrightarrow\quad y(t) = \frac{1}{\sqrt{1 - \ln(1+t^2)}},

    com o ramo positivo, porque y(0)=1>0y(0) = 1 > 0.

    Intervalo de existência. É preciso 1ln(1+t2)>01 - \ln(1+t^2) > 0:

    ln(1+t2)<1    1+t2<e    t<e1.\ln(1+t^2) < 1 \;\Longleftrightarrow\; 1 + t^2 < e \;\Longleftrightarrow\; |t| < \sqrt{e-1}.

    O intervalo é

    (e1,  e1),e11,311,\left(-\sqrt{e-1},\;\sqrt{e-1}\right), \qquad \sqrt{e-1} \approx 1{,}311,

    simétrico porque a equação só depende de tt através de t2t^2 e tdtt\,dt. Nas duas extremidades y+y \to +\infty: a solução explode em tempo finito, apesar de a equação não ter nada de singular ali. Isso é típico das não lineares — o y3y^3 é o responsável — e não acontece com equação linear alguma.

    Solução geral da equação.

    y(t)=±1Cln(1+t2),CR,mais a soluc¸a˜y0,y(t) = \pm\frac{1}{\sqrt{C - \ln(1+t^2)}}, \qquad C \in \mathbb{R}, \qquad\text{mais a solução } y \equiv 0,

    esta última perdida na divisão por y3y^3 e não recuperável por nenhum valor de CC.

    Solução do PVI: C=1C = 1 e ramo positivo, em (e1,e1)\left(-\sqrt{e-1},\,\sqrt{e-1}\right).

  9. avançadoramo negativo da raizBraun §1.4, nº 9

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    dydt=3t2+4t+22(y1),y(0)=1.\frac{dy}{dt} = \frac{3t^2 + 4t + 2}{2(y-1)}, \qquad y(0) = -1.
    Dica

    Integre de y=1y=-1 a yy e de t=0t=0 a tt; depois complete o quadrado em yy. O sinal da raiz é decidido por y(0)=1y(0) = -1, que está ABAIXO de 11.

    Resolução

    Separação e integração.

    1y2(η1)dη=0t(3s2+4s+2)ds,\int_{-1}^{y}2(\eta-1)\,d\eta = \int_{0}^{t}(3s^2+4s+2)\,ds,

    ou seja,

    [η22η]1y=[s3+2s2+2s]0t(y22y)3=t3+2t2+2t.\bigl[\eta^2 - 2\eta\bigr]_{-1}^{y} = \bigl[s^3 + 2s^2 + 2s\bigr]_{0}^{t} \quad\Longrightarrow\quad (y^2 - 2y) - 3 = t^3 + 2t^2 + 2t.

    Completando o quadrado. Somando 44 dos dois lados,

    (y1)2=t3+2t2+2t+4=(t+2)(t2+2),(y-1)^2 = t^3 + 2t^2 + 2t + 4 = (t+2)(t^2+2),

    pela fatoração por agrupamento t2(t+2)+2(t+2)t^2(t+2) + 2(t+2).

    Escolha do ramo. y1=±(t+2)(t2+2)y - 1 = \pm\sqrt{(t+2)(t^2+2)}, e como y(0)=1<1y(0) = -1 < 1 o sinal é o negativo:

    y(t)=1(t+2)(t2+2).y(t) = 1 - \sqrt{(t+2)(t^2+2)}.

    Verificação em t=0t = 0. 122=12=11 - \sqrt{2 \cdot 2} = 1 - 2 = -1. ✓

    Intervalo de existência. Como t2+2>0t^2 + 2 > 0 sempre, o radicando tem o sinal de t+2t+2, e é preciso que seja estritamente positivo: em t=2t = -2 teríamos y=1y = 1, exatamente onde o denominador da equação original se anula. Logo

    (2,  +).(-2,\;+\infty).

    Quando t2+t \to -2^+, a solução tende a 11 com derivada infinita — a curva encosta na reta y=1y = 1, que é a linha proibida da equação.

    Solução geral da equação, em forma implícita:

    (y1)2=t3+2t2+2t+C,CR,(y-1)^2 = t^3 + 2t^2 + 2t + C, \qquad C \in \mathbb{R},

    isto é, y=1±t3+2t2+2t+Cy = 1 \pm \sqrt{t^3 + 2t^2 + 2t + C}, com o sinal fixado por estar o ponto inicial acima ou abaixo da reta y=1y = 1.

    Solução do PVI: C=4C = 4 e ramo negativo, em (2,+)(-2, +\infty).

  10. avançadocondição inicial num ponto singularBraun §1.4, nº 10

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    cosydydt=tsiny1+t2,y(1)=π2.\cos y\,\frac{dy}{dt} = \frac{-t\sin y}{1+t^2}, \qquad y(1) = \frac{\pi}{2}.
    Dica

    A separação é a do exercício 5, agora com limites π/2\pi/2 e 11. O cuidado está no fim: em y=π/2y = \pi/2 o cosy\cos y zera, e vale conferir o que a equação diz exatamente no ponto inicial.

    Resolução

    Separação e integração. Supondo siny0\sin y \neq 0 e integrando de π/2\pi/2 a yy e de 11 a tt:

    π/2ycosηsinηdη=1ts1+s2ds,\int_{\pi/2}^{y}\frac{\cos\eta}{\sin\eta}\,d\eta = -\int_{1}^{t}\frac{s}{1+s^2}\,ds,

    isto é,

    lnsinylnsin(π/2)=ln1=0=12[ln(1+t2)ln2]=ln ⁣21+t2.\ln|\sin y| - \underbrace{\ln|\sin(\pi/2)|}_{=\,\ln 1\,=\,0} = -\frac{1}{2}\bigl[\ln(1+t^2) - \ln 2\bigr] = \ln\!\frac{\sqrt{2}}{\sqrt{1+t^2}}.

    Exponenciando,

    siny=21+t2,isto eˊ,y(t)=arcsin ⁣(21+t2).\sin y = \frac{\sqrt{2}}{\sqrt{1+t^2}}, \qquad\text{isto é,}\qquad y(t) = \arcsin\!\left(\frac{\sqrt{2}}{\sqrt{1+t^2}}\right).

    Intervalo de existência. O arco-seno exige 21+t21\frac{\sqrt{2}}{\sqrt{1+t^2}} \leq 1, ou seja, 1+t221 + t^2 \geq 2, ou ainda t1|t| \geq 1. Como o ponto inicial é t=1t = 1, o intervalo candidato é [1,+)[1, +\infty) — mas ele ainda não é aberto do lado esquerdo, e é aí que está o detalhe.

    O que acontece em t=1t = 1. Substituindo t=1t = 1, y=π/2y = \pi/2 na equação original: o lado esquerdo é cos(π/2)y=0\cos(\pi/2)\,y' = 0, e o direito é 112=12-\frac{1 \cdot 1}{2} = -\frac12. Não são iguais. Ou seja, não existe y(1)y'(1) finito: a solução chega ao ponto inicial com tangente vertical, e o dado y(1)=π/2y(1) = \pi/2 é atingido como limite, não como valor de uma solução derivável ali. O intervalo de existência, como solução derivável, é

    (1,  +).(1,\;+\infty).

    Nele, 21+t2<1\frac{\sqrt{2}}{\sqrt{1+t^2}} < 1, o arco-seno é derivável, e yy decresce de π/2\pi/2 rumo a 00 quando tt \to \infty.

    Sobre o ramo. y=πarcsin(21+t2)y = \pi - \arcsin\left(\frac{\sqrt2}{\sqrt{1+t^2}}\right) também satisfaz siny=2/1+t2\sin y = \sqrt2/\sqrt{1+t^2} e a mesma condição em t=1t=1, e também resolve a equação — desta vez subindo de π/2\pi/2 rumo a π\pi. O ponto inicial fica sobre a linha cosy=0\cos y = 0, onde a equação não está na forma normal y=f(t,y)y' = f(t,y) e o teorema de unicidade não se aplica; duas soluções saindo dali não contradizem coisa alguma.

    Solução geral da equação, em forma implícita:

    siny=C1+t2,CR,\sin y = \frac{C}{\sqrt{1+t^2}}, \qquad C \in \mathbb{R},

    com C=0C = 0 cobrindo as soluções constantes ynπy \equiv n\pi perdidas na divisão por siny\sin y.

    Solução do PVI: C=2C = \sqrt{2}, no ramo y=arcsin ⁣(21+t2)y = \arcsin\!\left(\frac{\sqrt2}{\sqrt{1+t^2}}\right) — ou no ramo y=πarcsin()y = \pi - \arcsin(\cdot) —, em (1,+)(1, +\infty).

  11. avançadoreação de segunda ordemBraun §1.4, nº 11

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    dydt=k(ay)(by),y(0)=0,a,b>0.\frac{dy}{dt} = k(a-y)(b-y), \qquad y(0) = 0, \quad a, b > 0.
    Dica

    Frações parciais, com os limites 00 e yy à esquerda, 00 e tt à direita. Trate à parte o caso a=ba = b, em que não há frações parciais para fazer. Suponha k>0k > 0.

    Resolução

    Caso aba \neq b. Decompondo,

    1(aη)(bη)=1ba[1aη1bη],\frac{1}{(a-\eta)(b-\eta)} = \frac{1}{b-a}\left[\frac{1}{a-\eta} - \frac{1}{b-\eta}\right],

    pois 1aη1bη=(bη)(aη)(aη)(bη)=ba(aη)(bη)\frac{1}{a-\eta} - \frac{1}{b-\eta} = \frac{(b-\eta)-(a-\eta)}{(a-\eta)(b-\eta)} = \frac{b-a}{(a-\eta)(b-\eta)}. Integrando de 00 a yy à esquerda e de 00 a tt à direita:

    1ba[lnbηaη]0y=0tkds=kt,\frac{1}{b-a}\left[\ln\left|\frac{b-\eta}{a-\eta}\right|\right]_{0}^{y} = \int_0^t k\,ds = kt,

    isto é,

    ln ⁣byaylnba=(ba)kt.\ln\!\frac{b-y}{a-y} - \ln\frac{b}{a} = (b-a)kt.

    Exponenciando,

    byay=baexp((ba)kt)=:E(t).\frac{b-y}{a-y} = \frac{b}{a}\exp\bigl((b-a)kt\bigr) =: E(t).

    Isolando yy — de by=E(ay)b - y = E(a-y) vem y(E1)=Eaby(E-1) = Ea - b

    y(t)=aE(t)bE(t)1=ab[exp((ba)kt)1]bexp((ba)kt)a.y(t) = \frac{aE(t) - b}{E(t) - 1} = \frac{ab\left[\exp\bigl((b-a)kt\bigr) - 1\right]}{b\exp\bigl((b-a)kt\bigr) - a}.

    Verificação em t=0t = 0. O numerador zera e o denominador vale ba0b - a \neq 0, logo y(0)=0y(0) = 0. ✓

    Caso a=ba = b. A equação vira y=k(ay)2y' = k(a-y)^2, e

    0ydη(aη)2=0tkds[1aη]0y=1ay1a=kt.\int_0^y \frac{d\eta}{(a-\eta)^2} = \int_0^t k\,ds \quad\Longrightarrow\quad \left[\frac{1}{a-\eta}\right]_0^y = \frac{1}{a-y} - \frac{1}{a} = kt.

    Assim 1ay=kt+1a=akt+1a\frac{1}{a-y} = kt + \frac{1}{a} = \frac{akt+1}{a}, isto é, ay=aakt+1a - y = \frac{a}{akt+1}, e

    y(t)=a2ktakt+1.y(t) = \frac{a^2kt}{akt + 1}.

    Intervalo de existência. A solução explode onde o denominador se anula. No caso aba \neq b, isso acontece em

    t=1k(ba)ln ⁣ab,t^{*} = \frac{1}{k(b-a)}\ln\!\frac{a}{b},

    que é negativo qualquer que seja a ordem entre aa e bb: se a<ba < b, o logaritmo é negativo e o fator k(ba)k(b-a) é positivo; se a>ba > b, os dois trocam de sinal juntos. O intervalo que contém t=0t = 0 é, portanto, (t,+)\left(t^{*},\,+\infty\right). No caso a=ba = b, o denominador zera em t=1ak<0t = -\frac{1}{ak} < 0, e o intervalo é (1ak,+)\left(-\frac{1}{ak},\,+\infty\right).

    Leitura do modelo. Este é o modelo de uma reação química de segunda ordem, em que yy é a quantidade de produto formado a partir de aa e bb unidades de dois reagentes. Quando t+t \to +\infty, ymin(a,b)y \to \min(a,b): a reação para quando o reagente em menor quantidade acaba — e a resposta, com todo o seu aspecto algébrico, está dizendo exatamente isso.

    Solução geral da equação. Para aba \neq b, escrevendo E(t)=Cexp((ba)kt)E(t) = C\exp\bigl((b-a)kt\bigr),

    y(t)=aE(t)bE(t)1,C0,y(t) = \frac{a\,E(t) - b}{E(t) - 1}, \qquad C \neq 0,

    mais as soluções constantes yay \equiv a e yby \equiv b, perdidas na divisão. Para a=ba = b,

    y(t)=a1kt+C,CR,y(t) = a - \frac{1}{kt + C}, \qquad C \in \mathbb{R},

    mais a constante yay \equiv a.

    Solução do PVI: C=baC = \frac{b}{a} no caso aba \neq b, com intervalo (1k(ba)lnab,+)\left(\frac{1}{k(b-a)}\ln\frac{a}{b},\,+\infty\right); e C=1aC = \frac{1}{a} no caso a=ba = b, com intervalo (1ak,+)\left(-\frac{1}{ak},\,+\infty\right).

  12. intermediárioa solução que a separação apagaBraun §1.4, nº 12

    Resolva o problema de valor inicial e determine o intervalo de existência:

    3tdydt=ycost,y(1)=0.3t\,\frac{dy}{dt} = y\cos t, \qquad y(1) = 0.
    Dica

    Antes de separar: a condição inicial é y(1)=0y(1) = 0. Tente escrever y0ydη/η\int_{y_0}^{y} d\eta/\eta com y0=0y_0 = 0 e veja o que acontece.

    Resolução

    A resposta.

    y(t)0,no intervalo (0,+).y(t) \equiv 0, \qquad \text{no intervalo } (0,\,+\infty).

    Por que. A função nula satisfaz a equação — os dois lados dão 00 — e satisfaz y(1)=0y(1) = 0.

    E ela é a única. Na forma normal, a equação é

    dydt=cost3ty,\frac{dy}{dt} = \frac{\cos t}{3t}\,y,

    que é linear homogênea com coeficiente contínuo em (0,+)(0,+\infty); pelo mesmo argumento do §1.2 nº 10 (Lista 2), a única solução com valor inicial nulo é a identicamente nula.

    Onde a separação trava. Separando, o lado esquerdo seria

    y0ydηη=1tcoss3sds,\int_{y_0}^{y}\frac{d\eta}{\eta} = \int_{1}^{t}\frac{\cos s}{3s}\,ds,

    e com y0=y(1)=0y_0 = y(1) = 0 a integral da esquerda diverge: 1/η1/\eta não é integrável perto de zero. O método não chega nem a começar — o que é mais informativo do que a versão com primitiva indefinida, em que só se percebe o problema no fim, ao notar que

    y(t)=Cexp ⁣(131tcosssds)y(t) = C\exp\!\left(\frac{1}{3}\int_1^t \frac{\cos s}{s}\,ds\right)

    nunca se anula para C0C \neq 0, e que C=0C = 0 é inadmissível porque a divisão por yy pressupôs y0y \neq 0.

    Dos dois jeitos a conclusão é a mesma: a solução do problema é justamente aquela que o primeiro passo do método descartou — o oposto do que aconteceu no exercício 2, onde a solução perdida voltava fazendo a constante igual a zero.

    Sobre o intervalo. A restrição t>0t > 0 vem do 3t3t que divide: em t=0t = 0 a equação não está na forma normal. Como o ponto inicial é t=1t = 1, o intervalo é (0,+)(0, +\infty). Que a solução seja constante e “caberia” em toda a reta não muda isso: o intervalo de existência é uma propriedade do problema, e não da aparência da fórmula.

    Solução geral da equação.

    y(t)=Cexp ⁣(131tcosssds),CR,t>0.y(t) = C\exp\!\left(\frac{1}{3}\int_1^t \frac{\cos s}{s}\,ds\right), \qquad C \in \mathbb{R}, \quad t > 0.

    A integral 1tcosssds\int_1^t \frac{\cos s}{s}\,ds não tem primitiva elementar — é o cosseno integral, a menos de constante — e fica indicada na resposta.

    Solução do PVI: C=0C = 0, isto é, y0y \equiv 0, em (0,+)(0, +\infty).

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